As 20 cidades mais preparadas para o ciclismo urbano segundo o Ranking Copenhagenize 2015

Há mais de 100 anos os daneses desfrutam de uma cultura ciclista que durante as últimas décadas conferiu-lhes o título de líderes no assunto. Por isso, não é estranho que um dos índices mais respeitados sobre a taxa do uso da bicicleta, a qualidade da infraestrutura ciclista e outros temas relacionados seja elaborado por um escritório local,o Copenhagenize Design Company. 

Esta empresa se dedica a assessorar os governos, elaborar planos territoriais e a criar soluções de desenho urbano que têm um objetivo comum: promover o uso da bicicleta como meio de transporte.

Em 2011, este escritório desenvolveu o Ranking Copenhagenize, um estudo de uso interno que escolheu quais são as 20 cidades mais amigáveis do mundo segundo 13 categorias. Dois anos depois, fez-se uma nova edição que, foi de fato publicada, e liderada por Amsterdam, cidade destronada na versão 2015, que apresentaremos neste artigo.

Metodologia

122 cidades que possuem mais de 600 mil habitantes na sua área metropolitana foram avaliadas por Copenhagenize de acordo com 13 categorias. Estas são:

1. Apoio
2. Cultura de Bicicletas
3. Equipamentos para as bicicletas
4. Infraestrutura para bicicletas
5. Sistemas públicos de aluguel de bicicletas
6. Gênero: Porcentagem de ciclistas que são mulheres ou homens.
7. Cota Modal para Bicicletas
8. Cota Modal para Bicicletas desde 2006
9. Percepção de Segurança
10. Política
11. Aceitação Social
12. Urbanismo
13. Tráfego Calmo

Cada uma dessas categorias é avaliada em cada cidade com uma pontuação que vai de 0 a 4. Quando em uma cidade estão sendo promovidos iniciativas ou esforços especiais, elas podem receber pontos adicionais.

Se quiser saber mais sobre a metodologia, clique aqui.

 

1. Copenhague

Copenhage
© Copenhagenize Design Co.

Na capital danesa, a cada dia aumenta o número de pessoas que utilizam a bicicleta para fazer seus deslocamentos, ou alguns trechos, até seus lugares de trabalho ou estudo. De fato, entre 2012 e 2014, a participação da bicicleta nos percursos diários subiu de 36% para 45% e, segundo os membros da empresa, é algo que nunca havia acontecido em tão pouco tempo.

A esta situação é necessário agregar os últimos projetos que foram feitos e que explicam porque Copenhague encabeça o ranking pela primeira vez. Entre eles está a ponte para pedestre e ciclistas The Snake, a reforma das ciclovias que atravessam a cidade, a construção de duas novas pontes e testes nos semáforos, de acordo com o tempo necessário para a bicicleta e não para o automóvel.

2. Amsterdam

Amsterdam
© Copenhagenize Design Co.

Nas avaliações anteriores, Amsterdam havia se mantido invicta, mas a falta de inovação após haver conquistado condições que muitas outras cidades queriam ter, a levaram a ocupar o segundo lugar. Contudo, é indiscutível que esta cidade holandesa possui motivos de sobra pra posicionar-se aqui.

En 2013, Copenhagenize já dizia que Amsterdam é conhecida por ter mais bicicleta do que automóveis, o que levou ao fato de que os ciclistas não tinham mais onde estacionar suas bicicletas. Por isso, o município elaborou um plano para construir 40 mil bicicletários até 2030.

3. Utrech

Utrech
© Copenhagenize Design Co.

Utrech manteve-se na mesma posição de 2013, consolidando-se como uma cidade pequena líder no mundo para andar de bicicleta.

Ao contrário de Amsterdam, esta cidade holandesa apresenta avanços em inovação como o anúncio da construção do maior bicicletário do mundo com capacidade para 12.500. Contudo, mantém a mesma observação desde o último ranking e deve a melhorar e uniformizar a rede de ciclovias do centro.

4. Estrasburgo

Estrasburgo
© Copenhagenize Design Co.

A presença desta cidade francesa pela primeira vez no ranking e no Top 10 é uma situação que para Copenhagenize é resultado de uma geração de planejadores que insistiram na bicicleta como transporte. 

Produto isso, hoje existem 536 quilômetros de ciclovias no centro e na área metropolitana fazendo com que a taxa de participação modal deste meio seja de 15% no centro e 8% nos arredores. Entretanto, o estudo é bastante exigente e recomenda a Estrasburgo ir mais além e alcanças índices atuais de ciclismo da Dinamarca e dos Países Baixos.

5. Eindhoven

Eindhoven
© EnvironmentBlog, via Flickr

Em 2012 se inaugurou Hovenring, uma rótula para os ciclistas que está suspensa sobre uma rodovia e que tornou-se um ícone da cidade. Tomando este projeto como inspiração, Eindhoven deve aproveitar o interesse que têm as autoridades e os ciclistas por fomentar o uso da bicicleta e dar um passo a mais para que continue subindo noranking.

6. Malmö

Malmö
© Knight Foundation, via Flickr.

A construção de infraestrutura e instalações para bicicletas em Malmö converte esta cidade sueca em um referencial a nível nacional. A isso se deve agregar a campanha comunicacional “Chega de deslocamentos ridículos de carro” que critica os trajetos que são feitos com automóvel nos quais o condutor vai sozinho ou se desloca somente 5 quilômetros.

Por último, a inauguração, em 2013, de um bicicletário em uma estação de trem e os planos para fomentar a bicicleta que tem o apoio das autoridades são outros motivos do porquê esta cidade subiu três posições no ranking durante os últimos dois anos.

7. Nantes

Nantes
© teens4unity, via Flickr.

Possuir ciclovias com características diferentes e que algumas dessas sejam bidirecionais, são opções que fazem com que andar de bicicleta se torne pouco intuitivo e que a hierarquia entre os usuários do espaço viário seja pouco clara.

Este é o motivo pelo qual essa cidade francesa baixou uma posição em comparação com 2013, mas ainda assim continua sendo uma das cidades francesas melhor avaliadas noranking. Além disso, conta com novas medidas para fomentar o uso da bicicleta como criar Zonas 30,  e vontade política para novos planos.

8. Bordeaux

Bordeaux
© hdes.copeland, via Flickr.

Apesar de haver descido três lugares, o que tem feito esta cidade francesa nos últimos anos continua sendo um exemplo para muitas outras. Entre as medidas introduzidas está o investimento que foi feito nas novas linhas de trem que de forma paralela tornam possível acalmar o tráfego motorizado, a implementação do sistema de bicicletas públicas VCub, a distribuição de novas instalações para ciclistas e uma alta taxa de gênero.

Produto disso, Copenhagenize não reconhece uma cidade na região que possa competir com ela em um curto prazo.

9. Antuérpia

Antuérpia
© The B-roll, via Flickr.

De acordo com a avaliação, esta cidade bela possui todos os fatores para alcançar taxas de usos de bicicleta similares as de Amsterdam ou Copenhague, somente lhe falta organizá-los um pouco. Entre estes destaca que a bicicleta é utilizada como um meio de transporte por pessoas de todas as idades e classes, as oportunidades que são dadas aos usuários para alugar bicicletas e a facilidade para estacioná-la no espaço público.

10. Sevilha

Sevilha
© Claudio Olivares Medina, via Flickr.

O grande êxito que em alguns anos obteve esta cidade espanhola não é comparável com nenhuma outra do país, e nem do seu vizinho Portugal. O fato de passar de uma cota modal de bicicleta de 0,2% para 7%, investir em infraestrutura para bicicletas e criar um projeto para implementar um sistema de bicicletas públicas na região de Andaluzia – a que pertence Sevilla – são razões que justificam esta afirmação.

11. Barcelona

Barcelona
© Copenhagenize Design Co.

Ainda que a rede de ciclovias não é a mais completa do mundo, é de fato, uma das mais utilizadas, segundo a taxa de uso medida por Copenhagenize. Como complemento destas vias, em grande parte de Barcelona, foram implementadas Zonas 30 tornando possível, por exemplo, que as crianças se movam em bicicleta pelos bairros.

Há oito anos, este panorama para os ciclistas era impossível, mas grande parte das metas que a cidade se propôs foram cumpridas, tornando-se assim, um exemplo para outros centros urbanos.

12. Berlim

Berlim
© tulenheimo, via Flickr.

Ao arredores de Berlim, o uso da bicicleta poderia ser melhor se fossem investidos mais recursos na infraestrutura para bicicletas do que para carros. Diferentemente, o que acontece no centro é o que deveria acontecer em toda a cidade, já que existem bairros que inclusive superam uma taxa modal do uso da bicicleta em 20%.

Por outro lado, Berlim destaca-se pelo uso das bicicletas de carga e pela porcentagem equilibrada entre homens e mulheres que utilizam a bicicleta como meio de transporte.

Apesar do panorama parecer positivo, é necessário considerar que a falta de bicicletários, os diferentes padrões de desenho nas ciclovias e a infraestrutura para os automóveis nos arredores da cidade, explicam a baixa no ranking.

13. Liubliana

Liubliana
© EUROPEAN MOBILITY WEEK, via Flickr.

No início dos anos 70, Liubliana debutou na construção dos seus primeiros 40 quilômetros de vias para ciclistas e hoje já possui uma rede de 133 quilômetros de pistas separadas e 73 quilômetros de ciclovias. Desde então, os esforços da capital da Eslovênia em ser uma cidade mais habitável fizeram notar em distintas iniciativas, tanto que foi escolhida pela comissão européia como a Capital Verde Europeia 2016.

Outros aspectos pelos quais Liubliana destaca-se no ranking corresponde a sua participação modal de 12% e a incorporação de infraestrutura para bicicleta nos novos projetos urbanos desde o princípio da sua elaboração.

14. Buenos Aires

Buenos Aires
© alexk100_part2, viía Flickr.

Enquanto em outras cidades se menciona sobre como aumentou o ciclismo, em Buenos Aires se fala em como explodiu o ciclismo. O fato é que, em somente três anos a cidade incorporou mais de 140 quilômetros de ciclovias que, na sua maioria, são segregadas dos veículos, e implementou Ecobici, seu primeiro sistema de bicicletas públicas. Ambos avanços, em parte, são atribuídos à unidade, visão e vontade política que existe na capital argentina para impulsionar a bicicleta como um meio de transporte.

De acordo com o estudo, a concorrência mais próxima para Buenos Aires é Rio de Janeiro, ainda que esteja fora do Top 20. No entanto, Santiago e Bogotá não são mencionados como concorrências, mas sim, se reconhece que no caso da primeira, há bastante atividade em torno do ciclismo, enquanto que na segunda, se menciona que ainda procura manter níveis de ciclismo formulados há 20 anos.

15. Dublin

Dublin
© Copenhagenize Design Co.

Dublin é uma das cidades históricas da Europa tratando de cultura ciclista. Não desvalorizando a criação de Zonas 30, os investimentos em infraestrutura e instalações e o crescimento da taxa de uso das bicicletas, o escritório danês considera que a cidade deve elaborar novos esforços para elevar a bicicleta a um nível mais alto.

16. Viena

Viena
© Aitor García Viñas – agvinas, via Flickr.

Lento, mas indiscutível. Assim tem sido o trabalho da capital austríaca para impulsionar a bicicleta e que foi refletido nas avaliações de Copenhagenize, tendo melhoras na aceitação cultural como meio de transporte, aumento das bicicletas de carga, a abertura para acolher eventos em relação ao ciclismo urbano, a implementação de Zonas 30 e o investimento na infraestrutura.

Contudo, a empresa recomenda criar campanhas de comunicação que convidem os cidadãos a utilizar a bicicleta e agir mais rápido que as intenções.

17. Paris

Paris
© Copenhagenize Design Co.

En Paris, 8% dos deslocamentos de quem diariamente vai ao trabalho ou ao colégio, são feitos em bicicleta. Somado a isso está o aumento das bicicletas de carga, a criação de  Zonas 30 que cobrem grande parte da cidade, a eliminação de infraestrutura para automóveis, dando espaço para as bicicletas, as avaliações do Velib’, considerado um dos melhores sistemas de bicicletas públicas do mundo e sua iniciativa similar para as crianças, P’tit Velib’, e a elaboração de um ambicioso plano para ser a  capital mundial do ciclismo urbano em 2020.

Até agora, poderia se pensar que não existem melhoras para fazer, mas segundo Copenhagenize, ainda falta. Neste sentido, considera-se que se Paris aspira ser a capital mundial do ciclismo, é necessário pensar na bicicleta primeiro e unificar os desenhos das ciclovias, construir mais bicicletários, conectar os subúrbios com ciclovias e melhorar a intermodalidade.

18. Minneapolis

Minneapolis
© Mike Juvrud, via Flickr.

A primeira e única cidade estadunidense que aparece no Top 20 por ter o Nice Ride, um sistema de bicicletas públicas que as está consolidando como meio de transporte, por ter também  338 quilômetros de ciclovias e pela vontade política proveniente da Prefeitura para que as mudanças continuem acontecendo. Uma recomendação: eliminar a neve das ciclovias durante o inverno.

19. Hamburgo

Hamburgo
© c.holland37, via Flickr.

Apesar dos planejadores desta cidade se negarem a modernizar a infraestrutura para ciclistas e com isso introduzir vias protegidas, Hamburgo se manteve no Top 20 graças aos planos que foram feitos para acalmar o trânsito no centro da cidade.

20. Montreal

Montreal
© Copenhagenize Design Co.

Desde o final dos anos 80, esta cidade da América do Norte surpreende com a criação de vias para os ciclistas que já nessa época era ciclofaixas. Contudo, é recomendável incrementar o padrão da rede de ciclovias para que as categorias melhor avaliadas, como gênero e a taxa do uso da bicicleta, sejam ainda melhores e outras aumentem seus indicadores.

Este artigo foi originalmente publicado em Plataforma Urbana.

 

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