Como o pintor Ben Johnson torna a representação arquitetônica tão real?

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Ben Johnson é um pintor preocupado com o realismo – especialmente quando trata-se da representação bidimensional do espaço arquitetônico. O artista britânico trabalha em Londres desde a década de 1960. Neste tempo, sua extensa obra abordou paisagens urbanas, estampas e representações de ambientes desenhados por Norman Foster, John Pawson, IM Pei, David Chipperfield.

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Quando visto sob uma perspectiva do realismo artístico, a obra de Johnson é quase sem precedentes em sua precisão e atenção ao detalhe. A comparação mais próxima que poderia ser feita, seria o Retrato de Arnolfini de Jan van Eyck, feito em 1434, uma imagem da escola flamenca do século XV que também aproveita a técnica de utilizar uma perspectiva geométrica construída para representar o espaço. Também conta com um nível similar de detalhe e a “verdade da realidade” ainda que, por sua natureza como uma peça interpretativa, representante de uma realidade suspensa.

Durante a última década, Johnson voltou sua atenção ao grande complexo palacial de Alhambraem Granada, mediante a produção de uma série de telas trabalhadas detalhadamente na devoção de suas excentricidades escultóricas e espaciais. Da fachada da Sala da Barca no Pátio dos Arrayanes e do Mirante Lindaraja, o trabalho de Johnson encarna a capacidade de representar um espaço arquitetônico adimensional e estritamente controlado, de atmosfera densa, ao utilizar um sentido não figurativo de chiaroscuro. Seu trabalho se estabelece entre a falsa perfeição da vista na perspectiva e a representação abstrata de uma realidade imperfeita.

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Construindo as obras em etapas, como uma collage, Johnson trabalhar principalmente a partir da fotografia. Ao invés de fazer a pintura com um pincel, ele tende a polvilhar sobre a tela ou usar uma esponja para criar texturas. Numa pintura padrão, o artista leva aproximadamente nove meses desenhando modelos e outros seis convertendo estes croquis em desenhos coloridos, que logo recebem um corte vinílico e leva outros três meses para, enfim, começarem a tomar forma. Dois meses poderiam ser gastos na mistura de cores antes de que Johnson comece a pintar, o que poderia tomar entre nove e doze meses. Ele não está sozinho neste processo: “cada pintura é uma colaboração que é mais importante para mim como artista, não como indivíduo”, disse. Cada obra “é um subproduto da colaboração”.

 

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